BG

sábado, 23 de novembro de 2013

Volta a Portugal - Mestrado

Mais de um ano depois, eis-nos aqui outra vez. Os bons desejos de vocês, muitas vezes manifestos nos comentários, concretizaram-se: estou de volta a Portugal, fazendo o Mestrado (que queria) em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

FLUP











Vim para cá em julho, quando fiz a seleção, e as aulas começaram em setembro. A seleção consistiu em uma análise de currículo, em que pesava o histórico da licenciatura e a atuação acadêmica (publicação de artigos, participação em eventos etc.). Houve ainda uma entrevista (não se trata de uma arguição de projeto), na qual duas professoras me fizeram perguntas sobre o meu percurso até então, a minha motivação para o curso, os temas que pretendia estudar. Vale ressaltar que para mim ainda não estava (nem está) claro em que vai consistir a minha dissertação, mas isso aqui não é empecilho para a entrada no curso. Fiquei colocada em 5.º lugar, juntamente com muitos brasileiros, portugueses e até um sul-coreano!

Há dois ramos no curso: o de Estudos Comparatistas e Relações Interculturais e o de Estudos Românicos e Clássicos, tendo este último seis variantes, das quais escolhi a de Literatura Portuguesa, Literaturas de Língua Portuguesa (Língua Portuguesa e Educação). Isso não nos impede de escolhermos cadeiras de outro ramo ou de outras variantes, mas a maior parte das cadeiras escolhidas tem de ser do ramo pré-definido. Desta forma, escolhi só duas cadeiras do ramo de E. Comparatistas, que são Literatura Comparada: Questões e Perspectivas e  Tradução e Cultura. Mesmo que eu não venha a desenvolver o meu trabalho final neste âmbito, tem sido muito útil para mim o estudo destas disciplinas no que tange ao alargamento da minha visão das relações literárias e culturais entre os países e do processo de construção das histórias da literatura (nacionais/internacionais).

- As restantes cadeiras, a quem interesse saber, são, no 1.º semestre: Rupturas e Continuidades na Poesia Portuguesa Contemporânea-1 , Novíssimos: Poesia e Poéticas e Poéticas Finisseculares - séc. XIX e XX-1, formando um total de cinco unidades curriculares. No próximo semestre, curso mais cinco e, no próximo ano letivo (que começa em setembro/2014), devo iniciar a escrita da dissertação (que deverá durar um ano).

Escolhi estas unidades curriculares para tentar construir uma visão mais bem fundamentada do modernismo e da literatura contemporânea, estudando desde os seus precursores (de fins do séc. XIX) até a produção poética mais recente ("novíssimos" - pelos anos 2000). Tudo tem se articulado bem e eu acho que tenho conseguido estabelecer relações significativas entre as matérias. Já pensei em tratar da poesia brasileira contemporânea na minha dissertação, mas ainda não defini o aspecto a ser estudado. Talvez o hibridismo de gêneros artísticos.

Biblioteca da FLUP

As diferenças entre o ensino (não só universitário) português e o brasileiro mereceriam uma postagem à parte, mas, para já, vou ser breve: o mestrado, em ambos os países, é já de si uma certa ruptura com o ambiente da graduação, que seria, digamos, mais permissivo, onde teríamos mais espaço para errar. No mestrado, temos que evitar afirmações despropositadas ou não-fundamentadas. Aqui em Portugal, então, sinto isso com mais intensidade, pelo fato de a relação professor-aluno ser, em geral, diferente daquilo com que estamos acostumados no Brasil. 

Nas escolas brasileiras, desde a educação básica, a figura do professor aproxima-se da de um amigo (o que, às vezes, tem consequências ruins, claro); quer dizer, por mais que haja uma hierarquia de saberes, o professor tenta não constranger tanto o aluno pelo fato de ele ainda não saber determinada coisa. Aqui, por outro lado, em meio às minhas aulas na universidade e em uma Escola Primária que tive ocasião de visitar, percebo uma relação um pouco diferente, em que o distanciamento é maior e a diferença de saberes é bastante enfatizada. Mas isto é assunto para um próximo texto.

Biblioteca da FLUP
Espero que este relato ajude quem pensa em vir para cá estudar. Se tiverem perguntas, não hesitem em fazê-las, seja por comentários, seja por email.

Até a próxima! :)


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Músicas da minha mobilidade


Olá, pessoal, tudo bem? Já estou de volta a São Luís, à vida cotidiana. Estou feliz por voltar à minha cidade, à minha família e aos meus amigos. Mas agora sou uma pessoa totalmente dividida ;)

Por isso, hoje quero compartilhar com vocês as quatro músicas mais tocadas durante o meu período de mobilidade (em 2011). Muitas delas continuam tocando (ainda bem!) e muitas eram as mesmas do Brasil - resultado da globalização. A rádio que eu mais ouvia em Portugal era a Antena 3, em que tocavam também músicas brasileiras (de boa qualidade), como Tulipa Ruiz e Chico Buarque. A propósito, foi por meio da Antena 3 que eu (brasileira) descobri a Tulipa (!), quando tocou esta música, que me fez procurar mais na net:



Esse CD da Tulipa é o "Efêmera". Ela já lançou outro, o "Tudo Tanto", disponível pra download no site dela.

Outra música que fazia os meus dias mais alegres era "Two Points", da banda portuguesa Norton (sim, eles cantam em inglês):


 

Eles agora também lançaram um clipe super lindo, que tem tudo que eu adoro: paisagens lindas e bicicletas :)   é este aqui:


A terceira música que mais ouvi em Portugal durante a mobilidade foi o que eles chamam de Música Pimba. O rei do Pimba é o Quim Barreiros, mas esta música é do grupo Chave D'Ouro - "O Pai da Criança (Quem será?)". Como estive em PT na época do carnaval, foi uma festa só, fizeram um monte de remixes :) Ainda toca muito:


Por fim, a quarta música que mais (me) tocou durante a mobilidade foi "Vá lá, senhora", da banda portuguesa Os Golpes (estes cantam em português) com Rui Pregal da Cunha. Adoro as batidas desta música! Continua tocando muito também.




Espero que tenham gostado, digam-me quais vocês curtiram mais!
Beijinhos :*

segunda-feira, 30 de julho de 2012

De volta a Portugal - férias :)

Este blog começou como um diário da minha experiência de mobilidade acadêmica (de seis meses). Hoje, quase um ano depois de eu ter ido embora (parti no dia 5 de agosto de 2011), Portugal continua a estar muito presente na minha vida.

Sim, estou de férias em Portugal, e é sobre este retorno (e um outro possível, para mestrado, no ano que vem) que trata esta postagem. Visitei até agora dois lugares principais, além do Porto: Águeda (cidade que fica dentro do concelho de Aveiro) e Lisboa.

Fui a Águeda ver uma amiga que morou comigo em um apartamento enquanto estive no Porto (já no final do semestre), a Susana, que estava trabalhando em uma festa que estava acontecendo lá, "Agitágueda". Por ocasião da festa, a cidade foi decorada com vários guarda-chuvas coloridos e teve seus banquinhos pintados de diversas cores. Como as fotos do local têm feito sucesso no Facebook, resolvi postar também algumas:



Já de Lisboa tenho mais o que contar, já que fui para lá de fato com o intuito de conhecer a cidade. Muita gente ficou impressionada por eu ter estado seis meses em Portugal e não ter conhecido Lisboa. Na época, eu não tive possibilidades de ir; contudo, valeu a pena visitá-la com mais calma desta vez (embora tenha passado só dois dias lá): Lisboa é uma cidade encantadora, na sua mistura de modernidade e tradição. Confesso que a parte moderna me assustou um pouco, pois nunca havia visitado uma cidade tão grande. No entanto, a modernidade nos ajudou e muito, pois andamos sempre de metro para cima e para baixo, por um valor relativamente baixo: comprei um passe de 5€ com o qual podia andar ilimitadamente até o fim do dia. O metro de Lisboa é muito eficiente, em poucos minutos anda-se de um lado a outro da cidade. Estava hospedada em uma área tranquila, bem próxima à estação de Picoas, em uma das Pousadas da Juventude de Lisboa. Recomendo esta Pousada: bom atendimento, limpeza, espaços bonitos e confortáveis, segurança, tudo nota 10.

(Rua Andrade Corvo, 46, Saldanha)

Para a postagem não ficar cansativa, vou mostrar os lugares que visitei e como fiz o caminho:
(Mapa do Metro de Lisboa - clique na imagem para ampliá-la)

O primeiro local que tinha em vista era a Baixa. Sendo assim, saí de Picoas para a estação Baixa-Chiado. Ao sair da estação, dei de cara com meu maior referencial (para não dizer ídolo, um adjetivo que ele odiaria) da Literatura, autor que analisei na minha monografia: Fernando Pessoa :)


Explorei a Baixa a pé e me encantei com os traços de tantos séculos presentes ali. Nestes espaços, sempre me sinto em casa, pois parecem muito com o centro histórico da minha cidade natal. 

(Rua da Baixa de Lisboa)

Ah! Vale lembrar que depois do meu encontro emocionante com Pessoa, comprei logo um mapa de Lisboa, para não me perder ;) mas nas minhas viagens, gosto de surpresas. Assim, peguei um elétrico (bonde) e deixei que ele me levasse pra onde quer que fosse :D Fui parar no Jardim da Estrela, que é muito bonito, e depois peguei o elétrico de volta no mesmo local para ir ao Rossio.



(Rossio/ Praça de D. Pedro IV)

Depois, segui a pé para a beira-mar, onde ficam a Praça do Comércio e o Terreiro do Paço:

(Praca do Comércio - Arco Triunfal - D. José I)


(Terreiro do Paço)

A noite no Bairro Alto é muito movimentada, com várias ruas estreitas em que podemos encontrar muitos bares:


Há também no Bairro Alto um miradouro muito bonito, de onde se tem uma vista linda de Lisboa (há vários miradouros, na verdade).

No dia seguinte, fiz o check-out e pegamos o metro novamente, comprando um novo passe, em direção a Belém. Entretanto, para ir a Belém é preciso sair na estação Cais do Sodré e comprar bilhetes pro comboio, o que levou quase 1h! As máquinas eram lentas e havia muita gente. Passado este sufoco, saí na estação Belém (claro), perto do Padrão dos Descobrimentos:

 (Ponte 25 de abril- réplica do Cristo Redentor)

(Padrão dos Descobrimentos) 



(Torre de Belém)


De lá, peguei o metro novamente, desta vez rumo à estação Oriente. Conheci o Parque das Nações, o Centro Comercial Vasco da Gama, a Avenida dos Oceanos (perto do Oceanário):

 (Av. dos Oceanos)

 (Pq. das Nações/Oceanário)

Para finalizar a viagem, fui a Cascais, ainda dentro do distrito de Lisboa. É uma praia lindíssima. Meus amigos de São Luís ficariam admirados em saber que esta foto foi tirada pelas 21h :D (na minha cidade, sempre anoitece pelas 18h).



E assim encerrei minha visita a Lisboa, querendo voltar outras vezes :)

Espero poder voltar, depois de formada, para cursar aqui o Mestrado em Estudos Literários, Culturais e Interartes na FLUP... Desejem-me sorte! :) 

sábado, 1 de outubro de 2011

Relações Brasil e Portugal


Numa hora livre que tive, peguei uma Istoé que andava aqui por casa, e fui folheando até que, na última página, me chamou atenção o título da coluna: "Portugal". Parece perseguição, agora em tudo vejo Portugal rsrs... A coluna foi escrita por uma atriz brasileira, filha de portugueses, cuja família veio pra cá ganhar a vida, mas manteve sempre muitos laços com a terrinha. Ela fala de pequenas coisas de lá de que eu também tenho muitas saudades agora, e de alguns preconceitos que o brasileiro, por ignorância, ainda cultiva em relação a Portugal. Deixo pra vocês o texto integral: é só clicar na foto abaixo, que ela se amplia. Vale a pena lê-lo, até porque ela o inicia com uma citação de Fernando Pessoa :) e também porque, assim como ela, eu nunca ouvi nenhum português dizer "Ora pois pois!" ; )
A coluna é da edição de 7 de setembro de 2011 (nº 2182).
Obrigada pelas sugestões, vou colocá-las em prática em breve! Até mais!


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Saudade portuguesa


Faz um mês que cheguei de Porto, mas meu coração continua lá. Tudo à minha volta, aqui em São Luís, ainda não é "tudo à minha volta", mas sim coisas que me lembram ou me fazem estabelecer comparações entre a minha cidade natal e a cidade do Porto, ou outras cidades de Portugal que tão bem me acolheram. Mas é claro que a maioria destas impressões eu guardo para mim, para não ser enfadonha às outras pessoas. O que aqui importa registrar é quão marcante pode ser uma experiência como esta que eu tive, e o quanto o nosso modo de ver as coisas fica alterado para sempre. Meu esforço atual é não deixar esvanecer esse olhar crítico sobre tudo, e, principalmente, as competências acadêmicas, profissionais e de relacionamento interpessoal que fui desenvolvendo ao longo desse período tão intenso. Agora eu sinto, mais profundamente do que nunca, a Saudade portuguesa.

O primeiro estranhamento que sentimos ao voltar é o da língua, obviamente. No meu caso, como vim pelo Rio de Janeiro primeiro para só depois chegar a São Luís, deparei-me ainda com outro sotaque antes de chegar ao dos meus conterrâneos. Foi uma sensação muito boa, até porque - desculpem-me os maranhenses - os cariocas são muito mais simpáticos que as pessoas da minha terra. Quando ouvi o modo brincalhão dos funcionários do aeroporto ao se dirigirem a mim, logo me senti em casa: "- Já posso entrar na sala de embarque? - Pode sim, minha dama, com certeza!" rsrs... Chegando em São Luís, apesar das precárias condições do aeroporto, fiquei feliz de ouvir o "Tu rai bem ali, tá vendo? E-hein, bem ali mermo." :D E mais feliz ainda de ver minha mãe me esperando, claro, após seis meses sem vê-la... Eu já morava só, mas nunca tinha passado tanto tempo sem que estivéssemos juntas. Acho que o máximo tinha sido três meses...

O segundo estranhamento que senti foi em relação ao ritmo da faculdade. Fico triste em relatar isso, pois, apesar de tudo, tenho amor pela minha Universidade. Mas foi um verdadeiro balde de água fria na empolgação de leitura e de estudo que eu trouxe do Porto o ritmo um tanto mais lento que as aulas seguem por aqui. Sei que diversos fatores interferem nisso e que não é culpa somente dos professores, dos alunos, da coordenação ou de seja lá quem for. Mas o fato é que a exigência que eu tinha na U. Porto era uma, e a que eu tenho aqui baixou consideravelmente. Espero ter disciplina para conseguir manter o ritmo que tinha lá.

Acho que não vale a pena falar de outras situações mais específicas. O que valeria dizer é que voltei à minha rotina, embora tenha ficado um período atrás em relação à minha turma (lá no Porto fiz 4 cadeiras, sendo que uma delas já tinha cursado aqui; logo, só pude aproveitar 3 cadeiras de um período composto por 8. Assim, estou cursando agora 5 cadeiras do 7º período, e ainda me faltam dois para eu me formar). Foi muito bom rever meus professores e colegas mais queridos, e voltar ao ambiente que, com todos os seus problemas, foi o que me formou e ainda está me formando. Fiquei muito feliz também de saber que várias pessoas do meu curso estão indo para a Universidade de Coimbra, fazer 2 anos de graduação-sanduíche. Eles estão indo com bolsa. Fico feliz por ter, de certa forma, aberto caminho para essa experiência que, com certeza, vale a pena, especialmente para os maranhenses, que tantas raízes ainda têm de Portugal.

Já não sei que destino dar ao blog, agora que o período de estudos foi encerrado. Deixo, então, um espaço aberto para que vocês leitores (sempre tão silenciosos! rsrs) deem suas sugestões de temas para as próximas postagens, ou deixem perguntas que gostariam de fazer sobre outros detalhes não mencionados aqui. Vocês é que mandam agora! Obrigada a todos que leram e comentaram, mesmo que nem sempre por este meio. Até mais!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fim de semestre


O mês de julho está chegando ao fim e com ele o meu período de estudos aqui em Portugal. Sou uma das poucas pessoas que ainda está aqui; a maioria já voltou pra casa, porque até o período de Recurso já terminou. Eu quis ficar até o começo de agosto pra poder aproveitar uns dias de férias, já que vim com o propósito de estudar muito durante o período letivo. Dos países da Europa além de Portugal, só pude conhecer a Espanha (quer dizer, só a capital, Madri), mas eu adorei!

Mas, como nerd que sou (risos), vou falar primeiro de como foram os estudos (e os exames!). Deve haver algum filho de Deus nesse mundo que faça mobilidade pra estudar! risos... Brincadeira, muitos amigos meus também estudaram muito, até porque o ensino aqui é muito mais puxado:

1 - Temos que fazer pelo menos um exame de cada cadeira em que estamos inscritos. Isso quer dizer que toda cadeira tem um exame, no mês de junho (reservado só aos exames - não há aulas) em que cai toda a matéria do semestre (ou assuntos específicos à escolha do professor).

2 - Além do exame, que vale geralmente 60 ou 70% da nota (só temos uma nota, e não três, como na minha faculdade), podemos ter (não necessariamente) um ou dois trabalhos ou provas para complementar a nota em 40 ou 30%.

3 - Os exames são agendados pela Faculdade, não pelos professores;

4 - As notas são divulgadas em listas enviadas por e-mail (com as notas de todos os alunos da turma juntas :$);

5 - O histórico final passa por cálculos que comparam a nossa nota com a maior e a menor da turma, e produzem um conceito (A, B, C, D ou F) e uma tabela com correspondências entre as notas daqui e "Excelente", "Muito Bom", "Satisfatório" etc., porque as notas aqui vão de 0 a 20, com média 10; enquanto no Brasil o sistema de notas varia muito de uma universidade para a outra. Na UFMA, vai de 0 a 10.

No meu caso, foi assim:

* Literatura Portuguesa Contemporânea - Exame Final (70%) + Relatório de Leitura (30%);
* Literatura Inglesa - Shakespeare e o Renascimento Inglês - Exame Final (60%) + "Envolvimento nas sessões" (40%);
* Estética e Linguagem - Exame Final (70%) + 2 Análises (uma de Imagem, outra de Texto Literário) (30%);
* Teoria da Literatura II - Exame Final (100%).

Tirei 17, 15, 16 e 16, respectivamente. Ainda não peguei o documento com as correspondências aos conceitos. À medida que ia recebendo as notas, não sabia se ficava triste ou feliz, porque achava que ainda estava muito longe do 20; mas depois fui vendo que o 20 é uma utopia hehehe (ninguém tira), o 19 é quando vamos mesmo muuuito bem (um colega meu tirou), e entre 16 e 18 são notas boas (no meu conceito de boas :D). Também depende muito do conceito do professor do que seja uma nota boa hueheuhe

Mas como notas são apenas notas, fiquei mesmo foi com o aprendizado. E posso dizer que foi muito grande! Desde uma mudança na minha atitude científica, em que eu passei a buscar ter mais rigor e paciência nas minhas pesquisas, até os conceitos, termos e referências que fui "colocando na bagagem" - literalmente, porque minha mala vai com um monte de livros. As cadeiras de que mais gostei foram Teoria da Literatura II (que eu já tinha feito na UFMA, mas queria aprofundar os conhecimentos, e acho que consegui) e Literatura Portuguesa Contemporânea, em que me apaixonei pelo Surrealismo e pelo poeta surrealista português, Mário Cesariny, e por muitos outros poetas portugueses que eu não conhecia. As professoras destas cadeiras também me marcaram muito, de maneiras diferentes. Ensinaram-me muito sobre como estudar, como dar aula, e também como ser aluna universitária.

Vale a pena estudar aqui! Pelo menos, na área que eu pude ver de perto! Por falar em área, aqui eu estudei na Faculdade de Letras (que corresponde ao Centro de Ciências Humanas da UFMA), em que funcionam os cursos (de graduação - chamados "licenciaturas", mesmo que não sejam destinados ao magistério) de: Arqueologia; Ciências da Informação; Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia; Ciências da Linguagem (do qual fiz Estética e Linguagem, mais direcionado pra Linguística); Estudos Portugueses e Lusófonos; Línguas, Literaturas e Culturas (do qual fiz as outras 3 cadeiras); Línguas Aplicadas; Línguas e Relações Internacionais; Filosofia; Geografia; História; História da Arte e Sociologia. Mais informações sobre os cursos podem ser obtidas aqui.

Modelos de exame:
Teoria da Literatura II (o que eu fiz)
Lit. Portuguesa Contemporânea (exemplo fornecido pela profa.)

Se quiserem saber mais, mandem-me um e-mail! O endereço está no "Quem sou eu". Fiquem com algumas fotos:



(Minha página no SIGARRA - sistema da FLUP)


(FLUP)


(eu, na FLUP)

Dedico à FLUP uma canção da Tuna Feminina
(cuja melodia é de "Felicidade", do Caetano Veloso):

Ai, Faculdade, vou-me embora
Vai ficar esta saudade
Que já chora pela vida de estudante
Não demora o adeus que nos separa
Nesta hora
Quando chegava ainda o tempo era tão longo
Hoje olho e soube a pouco*
Tudo passou a correr
São tantos dias, tantas noites, tanta farra
Que ao som de uma guitarra
Nós juramos não esquecer
Ai, Faculdade, vou-me embora
Vai ficar esta saudade
Que já chora pela vida de estudante
Não demora o adeus que nos separa
Nesta hora
Foi sob as capas que encontramos o segredo
E que perdemos o medo
Aprendemos a crescer
E é sob as capas que te canto, Academia
Foste tudo o que eu queria,
Hoje sei o que é viver

*não, aqui não seria "soube há pouco", porque o verbo saber, aqui em PT, também significa parecer, ter gosto ou cheiro (ex.: Este bolo sabe a laranja).

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Queima das Fitas

Resolvi fazer um esforcinho e postar aqui, mesmo em plena época de Exames, afinal devo ter frustrado várias expectativas de leitores ^^" Desculpem, mas é que minha vida foi se tornando cada vez mais agitada aqui no Porto - ainda bem! -, com mais e mais atividades, o que me tomou o tempo para elaborar uma postagem decente.
Vivi tantas experiências que mal sei por onde começar. Já que não posto desde abril, podia falar sobre Maio. Além de ter sido o mês do meu aniversário de 21 anos, que foi muito marcante, foi também o mês (como sempre é) da Queima das Fitas, a formatura dos estudantes de todas as faculdades do Porto. As comemorações duram uma semana, dia e noite, com eventos acadêmicos e culturais. Não é como no Brasil, em que cada turma aluga um espaço fechado e faz uma festa privada. Também não tem a cerimônia da colação de grau, nem se usa beca. Os símbolos e as ocasiões são outros - aliás, tento ter sempre um cuidado imenso quando falo das tradições acadêmicas daqui, porque são mesmo muito fortes e envolvem muitas coisas que às vezes me escapam. Como eu sou "erasmus", não passei pela Praxe (semelhante ao nosso Trote) - a não ser na Tuna -, então não cheguei a apreender todo esse universo de regras.
Fugindo um pouco ao tema, mas só pra dar uma noção, existe um WikiPraxe (!) só pra explicar algumas coisas - porque certas coisas são restritas às praxes.
Então, com as devidas reservas feitas, vou tentar explicar o que é a Queima das Fitas, fazendo algumas correspondências, embora não se compare o sentido que se dá à Academia e ao "ser estudante" aqui e no Brasil. São modos de ver diferentes, e eu tenho uma quedinha pelo modo daqui, confesso ;)

Comecemos então pelo que, na minha faculdade, aconteceria primeiro - acho eu: a Colação de Grau, que é a única cerimônia oferecida pela faculdade (embora nós é que tenhamos que alugar a beca). Digamos que, aqui, corresponde à Imposição de insígnias, em que "Estando reunidos todos os participantes no mesmo local e onde, obrigatoriamente, se encontra uma recipiente com chama, será dado início à Cerimónia, pelo Dux ou seu representante, proferindo as palavras 'IN NOMIE SOLENISIMA PRAXIS IMPOSICIONE INSIGNIAE ABERTUM EST' dando 3 pancadas, após as quais passa a palavra ao Mestre de Cerimónias designado para o Evento." Na chamada dos finalistas, cada um deles recebe três insígnias: as meninas, uma roseta; os meninos, um laço (gravata-borboleta); uma cartola e uma bengala, nessa ordem, sendo que o Padrinho/Madrinha (prof.) tem que dar três bengaladas na cartola do finalista pra dar boa sorte (assim como, posteriormente, todos os parentes e amigos do finalista ^^' haja cartola! eles colocam uma espuminha dentro, pra não doer ^^'). "Terminada a Cerimónia o Mestre de Cerimonias passa a Palavra ao Dux, ou seu representante, que encerra a cerimonia proferindo as palavras 'IN NOMIE SOLENISIMA PRAXIS IMPOSICIONE INSIGNIAE ENCERRATA EST' dando 3 pancadas."
No Brasil, haveria, além da Colação de Grau, uma Missa, Culto e/ou Culto Ecumênico, também fechado, e uma festa em um buffet. Aqui, a Missa é o primeiro evento da Semana da Queima, no domingo de manhã. É antecedida apenas pela "Monumental Serenata", que acontece à meia-noite e UM do domingo - "e UM" porque, na praxe, não pode haver números pares. Chama-se Missa da Benção das Pastas e ocorre a céu aberto; aqui no Porto foi nos Aliados. Eu participei, pois a prima do meu namorado estava se formando em Educação Social :) e posso dizer que é muito emocionante! Vê-se uma multidão de pastas com fitas coloridas balançando ao alto, que é quando são benzidas com água benta (ao final do post, vou deixar um link pras fotos). Mas o que acho legal é a ênfase no papel que o estudante tem na sociedade, explicitado publicamente e valorizado (pelo menos culturalmente, não significa que há emprego pra todos ^^"). A oração dos finalistas, ao final da missa, é muito bonita. Transcrevo parte dela:

Senhor nosso Deus:
no momento em que deixamos a Universidade,
vimos agradecer-Vos o caminho que até agora percorremos.
Vós nos chamastes a entrar no Vosso projecto
e a colaborar na salvação dos homens e do mundo.
E nós queremos responder afirmativamente ao Vosso apelo:
ouvindo a vossa voz, estamos disponíveis para a missão que nos pedis.
Junto de Vós recordamos tudo quanto recebemos e pudemos dar,
e todos aqueles que nestes anos nos acompanharam.
Para eles Vos pedimos, Senhor, a Vossa Luz.
No limiar de uma nova etapa, a Vós entregamos o futuro,
a Vós consagramos a nossa energia, a nossa inteligência e a nossa profissão.
Senhor Jesus, que ensinastes aos Apóstolos o sentido do amor e do serviço,
dai-nos forças para que também nós com esse sentido, saibamos construir a nossa vida profissional. (...)
Acho que aqui não há a necessidade de um culto ecumênico, porque não há tanta variedade de religiões como no Brasil, nem manifestações tão explícitas de religiosidade por parte dos jovens que chegassem a exigir outra cerimônia. Aliás, grande parte dos estudantes não é muito religiosa; por vezes ateia, agnóstica ou indiferente. O valor simbólico da cerimônia é que fica.
Quanto ao Baile de Formatura; aqui há o Baile de Gala e o Chá Dançante, mas sobre esses não sei falar porque não fui. Há também, todas as noites, uma festa no "Queimódromo" - aqui no Porto é o Parque da Cidade - em que há barracas das associações de estudantes, vendendo bebidas e tocando música, e shows diversos. Fui a duas noites, mas não consegui entrar no espírito; é muito barulho e bagunça pra minha natureza calminha ^^' apesar disso, gostei de ver as bengaladas e a amizade entre os estudantes, vivendo aquela experiência.
Fui ainda ao Cortejo Acadêmico, que pra mim é mais uma coisa que afirma o valor dos universitários na sociedade. É um desfile de carros alegóricos de cada faculdade, que vai desde as 14h01 (!) atée de madrugada (porque são muitas faculdades, e não são só os finalistas que vão, mas todos os estudantes que participam da praxe). Cada faculdade tem uma cor, presente nas insígnias, nas fitas e na decoração dos carros. Estes últimos também servem, muitas vezes, como protesto; neste ano falaram muito sobre os efeitos da crise econômica que assola Portugal, sobre os empregos precários, falta de estágio e sobre as altas propinas que os estudantes pagam - taxas que chegam à volta dos mil euros por ano! (isso na graduação, porque no mestrado/doutorado é mais caro).
A Queima acontece nos principais pólos universitários de Portugal; ouvi falar mais da do Porto, da de Coimbra e da de Lisboa, mas há mais. "A história da Queima das Fitas no Porto não é muito mais recente que a de Coimbra, que se iniciou em 1919, pois já em 1920, os finalistas de Medicina da Universidade do Porto faziam a chamada 'Festa da Pasta', que é considerada a origem da Queima das Fitas do Porto.
A 'Festa da Pasta' era um evento, com um grande espírito académico, que comemorava a passagem da pasta dos estudantes que estavam a terminar o seu curso, os quintanistas, aos que entravam na recta final, os quartanistas. Juntamente com a passagem da pasta era imposto o grelo aos quartanistas. Ao longo dos anos a 'Festa da Pasta' foi-se difundindo pelas diversas faculdades da Universidade do Porto, sendo que cada faculdade tinha a sua própria festa. As diversas 'Festa da Pasta' realizaram-se ininterruptamente até 1943, ano a partir do qual passou a haver uma só para todas as faculdades." (site da FAP)
Haveria muito mais detalhes que eu poderia contar, mas isso tornaria a leitura muito cansativa. Em suma, o que posso dizer é que a Academia é vivida de uma forma muito especial aqui, não tão pragmática como é na América em geral; há mais tradição, sentimento e, principalmente, orgulho. Isso é uma coisa que vou sempre levar comigo, embalada por uma canção da Tuna Feminina de Letras da Universidade do Porto (que tão bem me acolheu e da qual ainda vou falar mais):
Ser estudante é ser poeta
É ter nas mãos a saudade
Do que está pra vir
E a lembrança do que passou
Ser estudante é trajar de negro
É enaltecer a Alma
Numa capa velha
Que abraça e aquece a vida
Com ternura

Ser estudante é ser criança
É não sentir a tristeza
Saber que se vive
Que muito se ama
E desgosta
Ser estudante é ter a noite no peito
É ter vaidade e mágoa
Que me faz ser o que sou
Para sempre
Estudante!


Abaixo, algumas fotos:



(Helena, responsável por eu vivenciar mais de perto tudo isso ^^)


(Imposição das Insígnias)

(Logo depois da Imposição)

(Missa)




(Cortejo)





Se quiserem, podem ver mais fotos da Queima aqui:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.127302264014793.30592.100002050613088&l=069a6a154c
Até a próxima :*