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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Inscrições em Unidades Curriculares - minhas opções - Mestrado

Como tenho recebido alguns pedidos de ajuda em relação às inscrições em Unidades Curriculares (o mesmo que Seminários, "disciplinas" ou "cadeiras", como eu as chamo). A inscrição, já de si, é um pouco confusa. Tem de ser feita online, pelo Sigarra (o sistema da FLUP). No meu ramo - Estudos Românicos e Clássicos, variante de Literaturas de Língua Portuguesa - temos que escolher 10 cadeiras para o 1.º ano, a serem distribuídas pelos dois semestres como o estudante preferir (?). Eu escolhi 5 em cada, sendo que no mínimo 3 delas tinham de ser do meu ramo e 2, de outros ramos. Alguns funcionários chamam as do ramo de "obrigatórias" e as outras de "optativas". Meu plano de estudos (após algumas alterações no início de cada semestre, que são possíveis, por norma, até a segunda semana de aulas), ficou assim:

1.º Semestre:

Poéticas Finisseculares - séc. XIX e XX - I (Variante de Lit. Port.)
Ruturas e Continuidades na Poesia Portuguesa Contemporânea - I (Variante de Lit. Port.)
Novíssimos: Poesia e Poéticas (Variante de Lit. Port.)
Literatura  Comparada: Questões e Perspectivas (Ramo de Estudos Comparatistas)
Tradução e Cultura (Ramo de Estudos Comparatistas)

2.º Semestre:

Geração de Orpheu (Variante de Lit. Port.)
Poesia e Filosofia no século XVI (Variante de Lit. Port.)
Ruturas e Continuidades na Poesia Portuguesa Contemporânea - II
(Variante de Lit. Port.)
Poética Clássica (Variante de Lit. Clássicas)
Estética Literária (Variante de Estética Literária)

A inscrição se torna complicada porque as pessoas com quem falamos normalmente falam de ramo e variante como sinônimos. Acabam por ser a mesma coisa na prática, realmente; mas o fato é que, no ramo que escolhi, a maior parte das cadeiras escolhidas tem de ser desse ramo (Estudos Românicos e Clássicos) que engloba seis variantes. O outro ramo é Estudos Comparatistas e Relações Interculturais e não possui variantes.

Os links nos nomes das disciplinas dão acesso aos trabalhos que fiz em cada uma delas. Tirei 18 em todos eles; a nota vai de 0 a 20. Normalmente, só é pedido um trabalho por disciplina, mas há professores que pedem outros trabalhos menores para complementar a nota ou consideram também a participação/apresentação oral em sala.

Também postei as minhas opções na época da mobilidade aqui.
Gostei muito de todos os seminários e agora estou na fase de escrita orientada da dissertação.

Desejem-me sorte ;-)


sábado, 20 de setembro de 2014

Novo Regime do Estudante Internacional

Em março de 2014, houve uma alteração no regulamento da entrada de estudantes estrangeiros em Portugal. Antes, podíamos fazer qualquer curso universitário pelo mesmo valor que pagam os estudantes portugueses - sim, aqui a universidade é paga, mesmo que seja pública (média de 1000€/ano) - e fazíamos exatamente o mesmo processo seletivo que eles - avaliação curricular e entrevista - durante o mesmo prazo.



Agora o estudante estrangeiro deverá pagar mais pelo mesmo curso, como já acontece em outros países, como nos Estados Unidos. A lógica deles é que como nós "não pagamos impostos" (apesar de pagá-los em tudo o que consumimos e até em documentos que temos de tirar), não podemos usufruir do financiamento público à educação. Passo a citar o texto do Decreto-Lei n.º 36/2014:

As instituições de ensino portuguesas têm vindo a atrair um número crescente de estudantes estrangeiros, quer em programas de mobilidade e intercâmbio quer através do regime geral de acesso. 

A captação de estudantes estrangeiros permite aumentar a utilização da capacidade instalada nas instituições, potenciar novas receitas próprias, que poderão ser aplicadas no reforço da qualidade e na diversificação do ensino ministrado, e tem um impacto positivo na economia.

Importa, pois, criar os meios legais adequados para que se possa reforçar a capacidade de captação de estudantes estrangeiros, através de um concurso especial de acesso e ingresso nos ciclos de estudo de licenciatura e integrados de mestrado ministrados em instituições de ensino superior públicas e privadas portuguesas, gerido diretamente por estas. (...)

Os estudantes admitidos através deste novo regime não serão considerados no âmbito do financiamento público das instituições de ensino superior. Em contrapartida, e de acordo com o previsto na lei do financiamento do ensino superior, as instituições públicas poderão fixar propinas diferenciadas, tendo em consideração o custo real da formação.

Para os estudantes internacionais oriundos dos países africanos de expressão oficial portuguesa será criado um programa especial de bolsas de estudo.

Na FLUP, o valor estava à volta dos 4000€. Não consigo acessar agora a página das candidaturas no site, mas vi que houve uma alteração de última hora: decidiram deixar o mestrado e o doutorado fora desse aumento por mais um ano, devido à proximidade da mudança com o período de candidaturas. Mas a licenciatura já foi incluída. Na U. Porto o Conselho-Geral deliberou que estudantes provenientes de países membros da CPLP terão 50% de desconto. Em Coimbra, o valor foi definido em 7.000€ (confira aqui) e eu não sei informar se há algum tipo de desconto, pois cada universidade tem autonomia para decidir como irá aplicar o Decreto-Lei.

Atenção: essa lei não se aplica sobre o estudante de Mobilidade/Intercâmbio (o chamado "Erasmus").  Nesse caso, somos isentos do pagamento de propinas, como eu também fui em 2011. Também não se aplica aos estudantes aceitos em anos anteriores (como eu, em 2013).

Essa alteração dividiu opiniões. Embora esse estatuto diferenciado seja prática corrente em outros países, acho que não é justo. Eles falam em "custo real da formação" e em impostos, mas nós temos custos dobrados em relação aos estudantes nacionais e também contribuímos. Além de pagarmos as propinas, temos todos os nossos gastos do dia-a-dia (aluguel, conta de luz, água etc., bens de consumo etc.) que revertem em contribuição para eles. Isso para não falar nas viagens que geralmente um estudante estrangeiro faz, fomentando o turismo, nem das deslocações para ver a família (com passagem comprada em Portugal, muitas vezes). Temos número de identificação fiscal como qualquer cidadão português. Não vejo como um aluno só pode custar tanto a uma universidade, sendo que no Brasil tanto eu quanto meus colegas estrangeiros não pagávamos um centavo diretamente à faculdade.

Além disso, muitos portugueses têm deixado de frequentar o ensino superior justamente pelo elevado custo que recai sobre o estudante. Isso faz com que nós, estrangeiros, representemos uma grande parcela do alunado dos cursos. Muitas vezes aconteceu, durante as aulas, estarem presentes mais estrangeiros do que nacionais.

Talvez essa mudança afaste os estudantes estrangeiros; talvez não. Eu não sairia do Brasil para pagar tanto por uma formação no exterior. Na minha área, não me compensaria; tanto pela perspectiva de remuneração quanto pela qualidade de ensino que, no Brasil, é equivalente (principalmente na pós-graduação). Pode ser que estudantes de outras áreas considerem que vale o investimento. O que eu acho é que, se for para enriquecer o currículo, é suficiente a experiência de Mobilidade, que fica bem mais em conta.

Fica aqui apenas o registro para que ninguém seja pego desprevenido ;-)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

quando a paisagem se torna invisível ou quase um ano de Portugal

Quem me conhece já deve ter cansado de me ouvir falar que eu estudo a paisagem na literatura de língua portuguesa. Num desses textos da geografia humanista cultural, li que a percepção da gente em relação aos lugares muda muito quando passamos a morar neles e, principalmente, a ganhar a vida neles.



no "comboio" nosso de cada dia ;)
Eu havia passado seis meses aqui em Portugal (fev-jul/2011) e depois vim em julho de 2012 e de 2013 (já para morar). Sendo assim, só agora é que eu passei os meses de frio intenso (outubro-abril), e só desta vez é que eu trabalhei aqui, já que da primeira vez eu tinha uma bolsa do CNPq. Pois bem, continuo achando tudo lindo, mas agora moro quase em Aveiro e não no Porto, ou seja, tenho que pegar mil e um transportes (cuja qualidade é excelente; não fosse isso, seria muito mais difícil) e não caminhar por dez minutos como antes :D; tenho que me virar para ganhar algum dinheiro porque não consigo emprego; tenho que pegar muito vento frio e chuva... O meu tempo ficou bem mais apertado e eu já não consigo passear ou admirar a cidade como antes. Só em raros momentos de contemplação de dentro do ônibus. O significado dos lugares se torna bem diferente quando a utilidade deles muda e quando a vivência do tempo é outra.

Mas calma, meu caro leitor amigo/stalker, não pense que tudo são flores do mal ;) a parte boa é que estou aprendendo muito, muito mesmo com tudo isso. Aprendendo a viver dentro de certos limites, não só financeiros, mas de disciplina de estudo, de tempo, de motivação... Não que eu não fizesse isso antes, mas estou desenvolvendo cada vez mais essas competências. Estou me conhecendo melhor, pois estar fora do nosso país e da nossa cultura nos dá uma noção muito maior de como nós somos. Me pego baixando músicas de forró, que nem ouvia tanto, só pra ouvir o som do português brasileiro, nordestino; só pra sentir aquela leveza e aquela alegria de que eu nem sonhava o valor. Continuo teimando em falar nas aulas, mesmo com as bochechas muito coradas e o coração a mil, porque há "entre nós e as palavras, o nosso dever/querer falar" e porque ainda sonho em um dia conseguir compartilhar algo do que a literatura me dá. Continuo teimando em escrever, apesar de toda a supercrítica que sempre me acompanha. E continuo teimando em trilhar pelo caminho mais difícil: o do estudo. Se este não me dá um retorno financeiro rápido, ao menos me faz enxergar que isso não é tudo.

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Meus trabalhos:


(Tirei 18 em todos *--* foi uma conquista pra mim, pois em 2011 tirei 15, 16, 16 e 17).
Na minha interpretação da escala de notas daqui, que vai de 0 a 20,
15 = bom; 16 = muito bom; 17 = muito bom mesmo;
18 = cumpriu o que devia :) 19 = excelente; 20 = excepcional

No segundo semestre, estou cursando:


Rupturas e Continuidades na Poesia Portuguesa Contemporânea 2

Poesia e Filosofia no século XVI
Geração de Orpheu
Estética Literária
Poética Clássica

#wishmeluck

sábado, 23 de novembro de 2013

Volta a Portugal - Mestrado

Mais de um ano depois, eis-nos aqui outra vez. Os bons desejos de vocês, muitas vezes manifestos nos comentários, concretizaram-se: estou de volta a Portugal, fazendo o Mestrado (que queria) em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

FLUP











Vim para cá em julho, quando fiz a seleção, e as aulas começaram em setembro. A seleção consistiu em uma análise de currículo, em que pesava o histórico da licenciatura e a atuação acadêmica (publicação de artigos, participação em eventos etc.). Houve ainda uma entrevista (não se trata de uma arguição de projeto), na qual duas professoras me fizeram perguntas sobre o meu percurso até então, a minha motivação para o curso, os temas que pretendia estudar. Vale ressaltar que para mim ainda não estava (nem está) claro em que vai consistir a minha dissertação, mas isso aqui não é empecilho para a entrada no curso. Fiquei colocada em 5.º lugar, juntamente com muitos brasileiros, portugueses e até um sul-coreano!

Há dois ramos no curso: o de Estudos Comparatistas e Relações Interculturais e o de Estudos Românicos e Clássicos, tendo este último seis variantes, das quais escolhi a de Literatura Portuguesa, Literaturas de Língua Portuguesa (Língua Portuguesa e Educação). Isso não nos impede de escolhermos cadeiras de outro ramo ou de outras variantes, mas a maior parte das cadeiras escolhidas tem de ser do ramo pré-definido. Desta forma, escolhi só duas cadeiras do ramo de E. Comparatistas, que são Literatura Comparada: Questões e Perspectivas e  Tradução e Cultura. Mesmo que eu não venha a desenvolver o meu trabalho final neste âmbito, tem sido muito útil para mim o estudo destas disciplinas no que tange ao alargamento da minha visão das relações literárias e culturais entre os países e do processo de construção das histórias da literatura (nacionais/internacionais).

- As restantes cadeiras, a quem interesse saber, são, no 1.º semestre: Rupturas e Continuidades na Poesia Portuguesa Contemporânea-1 , Novíssimos: Poesia e Poéticas e Poéticas Finisseculares - séc. XIX e XX-1, formando um total de cinco unidades curriculares. No próximo semestre, curso mais cinco e, no próximo ano letivo (que começa em setembro/2014), devo iniciar a escrita da dissertação (que deverá durar um ano).

Escolhi estas unidades curriculares para tentar construir uma visão mais bem fundamentada do modernismo e da literatura contemporânea, estudando desde os seus precursores (de fins do séc. XIX) até a produção poética mais recente ("novíssimos" - pelos anos 2000). Tudo tem se articulado bem e eu acho que tenho conseguido estabelecer relações significativas entre as matérias. Já pensei em tratar da poesia brasileira contemporânea na minha dissertação, mas ainda não defini o aspecto a ser estudado. Talvez o hibridismo de gêneros artísticos.

Biblioteca da FLUP

As diferenças entre o ensino (não só universitário) português e o brasileiro mereceriam uma postagem à parte, mas, para já, vou ser breve: o mestrado, em ambos os países, é já de si uma certa ruptura com o ambiente da graduação, que seria, digamos, mais permissivo, onde teríamos mais espaço para errar. No mestrado, temos que evitar afirmações despropositadas ou não-fundamentadas. Aqui em Portugal, então, sinto isso com mais intensidade, pelo fato de a relação professor-aluno ser, em geral, diferente daquilo com que estamos acostumados no Brasil. 

Nas escolas brasileiras, desde a educação básica, a figura do professor aproxima-se da de um amigo (o que, às vezes, tem consequências ruins, claro); quer dizer, por mais que haja uma hierarquia de saberes, o professor tenta não constranger tanto o aluno pelo fato de ele ainda não saber determinada coisa. Aqui, por outro lado, em meio às minhas aulas na universidade e em uma Escola Primária que tive ocasião de visitar, percebo uma relação um pouco diferente, em que o distanciamento é maior e a diferença de saberes é bastante enfatizada. Mas isto é assunto para um próximo texto.

Biblioteca da FLUP
Espero que este relato ajude quem pensa em vir para cá estudar. Se tiverem perguntas, não hesitem em fazê-las, seja por comentários, seja por email.

Até a próxima! :)


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fim de semestre


O mês de julho está chegando ao fim e com ele o meu período de estudos aqui em Portugal. Sou uma das poucas pessoas que ainda está aqui; a maioria já voltou pra casa, porque até o período de Recurso já terminou. Eu quis ficar até o começo de agosto pra poder aproveitar uns dias de férias, já que vim com o propósito de estudar muito durante o período letivo. Dos países da Europa além de Portugal, só pude conhecer a Espanha (quer dizer, só a capital, Madri), mas eu adorei!

Mas, como nerd que sou (risos), vou falar primeiro de como foram os estudos (e os exames!). Deve haver algum filho de Deus nesse mundo que faça mobilidade pra estudar! risos... Brincadeira, muitos amigos meus também estudaram muito, até porque o ensino aqui é muito mais puxado:

1 - Temos que fazer pelo menos um exame de cada cadeira em que estamos inscritos. Isso quer dizer que toda cadeira tem um exame, no mês de junho (reservado só aos exames - não há aulas) em que cai toda a matéria do semestre (ou assuntos específicos à escolha do professor).

2 - Além do exame, que vale geralmente 60 ou 70% da nota (só temos uma nota, e não três, como na minha faculdade), podemos ter (não necessariamente) um ou dois trabalhos ou provas para complementar a nota em 40 ou 30%.

3 - Os exames são agendados pela Faculdade, não pelos professores;

4 - As notas são divulgadas em listas enviadas por e-mail (com as notas de todos os alunos da turma juntas :$);

5 - O histórico final passa por cálculos que comparam a nossa nota com a maior e a menor da turma, e produzem um conceito (A, B, C, D ou F) e uma tabela com correspondências entre as notas daqui e "Excelente", "Muito Bom", "Satisfatório" etc., porque as notas aqui vão de 0 a 20, com média 10; enquanto no Brasil o sistema de notas varia muito de uma universidade para a outra. Na UFMA, vai de 0 a 10.

No meu caso, foi assim:

* Literatura Portuguesa Contemporânea - Exame Final (70%) + Relatório de Leitura (30%);
* Literatura Inglesa - Shakespeare e o Renascimento Inglês - Exame Final (60%) + "Envolvimento nas sessões" (40%);
* Estética e Linguagem - Exame Final (70%) + 2 Análises (uma de Imagem, outra de Texto Literário) (30%);
* Teoria da Literatura II - Exame Final (100%).

Tirei 17, 15, 16 e 16, respectivamente. Ainda não peguei o documento com as correspondências aos conceitos. À medida que ia recebendo as notas, não sabia se ficava triste ou feliz, porque achava que ainda estava muito longe do 20; mas depois fui vendo que o 20 é uma utopia hehehe (ninguém tira), o 19 é quando vamos mesmo muuuito bem (um colega meu tirou), e entre 16 e 18 são notas boas (no meu conceito de boas :D). Também depende muito do conceito do professor do que seja uma nota boa hueheuhe

Mas como notas são apenas notas, fiquei mesmo foi com o aprendizado. E posso dizer que foi muito grande! Desde uma mudança na minha atitude científica, em que eu passei a buscar ter mais rigor e paciência nas minhas pesquisas, até os conceitos, termos e referências que fui "colocando na bagagem" - literalmente, porque minha mala vai com um monte de livros. As cadeiras de que mais gostei foram Teoria da Literatura II (que eu já tinha feito na UFMA, mas queria aprofundar os conhecimentos, e acho que consegui) e Literatura Portuguesa Contemporânea, em que me apaixonei pelo Surrealismo e pelo poeta surrealista português, Mário Cesariny, e por muitos outros poetas portugueses que eu não conhecia. As professoras destas cadeiras também me marcaram muito, de maneiras diferentes. Ensinaram-me muito sobre como estudar, como dar aula, e também como ser aluna universitária.

Vale a pena estudar aqui! Pelo menos, na área que eu pude ver de perto! Por falar em área, aqui eu estudei na Faculdade de Letras (que corresponde ao Centro de Ciências Humanas da UFMA), em que funcionam os cursos (de graduação - chamados "licenciaturas", mesmo que não sejam destinados ao magistério) de: Arqueologia; Ciências da Informação; Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria, Multimédia; Ciências da Linguagem (do qual fiz Estética e Linguagem, mais direcionado pra Linguística); Estudos Portugueses e Lusófonos; Línguas, Literaturas e Culturas (do qual fiz as outras 3 cadeiras); Línguas Aplicadas; Línguas e Relações Internacionais; Filosofia; Geografia; História; História da Arte e Sociologia. Mais informações sobre os cursos podem ser obtidas aqui.

Modelos de exame:
Teoria da Literatura II (o que eu fiz)
Lit. Portuguesa Contemporânea (exemplo fornecido pela profa.)

Se quiserem saber mais, mandem-me um e-mail! O endereço está no "Quem sou eu". Fiquem com algumas fotos:



(Minha página no SIGARRA - sistema da FLUP)


(FLUP)


(eu, na FLUP)

Dedico à FLUP uma canção da Tuna Feminina
(cuja melodia é de "Felicidade", do Caetano Veloso):

Ai, Faculdade, vou-me embora
Vai ficar esta saudade
Que já chora pela vida de estudante
Não demora o adeus que nos separa
Nesta hora
Quando chegava ainda o tempo era tão longo
Hoje olho e soube a pouco*
Tudo passou a correr
São tantos dias, tantas noites, tanta farra
Que ao som de uma guitarra
Nós juramos não esquecer
Ai, Faculdade, vou-me embora
Vai ficar esta saudade
Que já chora pela vida de estudante
Não demora o adeus que nos separa
Nesta hora
Foi sob as capas que encontramos o segredo
E que perdemos o medo
Aprendemos a crescer
E é sob as capas que te canto, Academia
Foste tudo o que eu queria,
Hoje sei o que é viver

*não, aqui não seria "soube há pouco", porque o verbo saber, aqui em PT, também significa parecer, ter gosto ou cheiro (ex.: Este bolo sabe a laranja).

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Queima das Fitas

Resolvi fazer um esforcinho e postar aqui, mesmo em plena época de Exames, afinal devo ter frustrado várias expectativas de leitores ^^" Desculpem, mas é que minha vida foi se tornando cada vez mais agitada aqui no Porto - ainda bem! -, com mais e mais atividades, o que me tomou o tempo para elaborar uma postagem decente.
Vivi tantas experiências que mal sei por onde começar. Já que não posto desde abril, podia falar sobre Maio. Além de ter sido o mês do meu aniversário de 21 anos, que foi muito marcante, foi também o mês (como sempre é) da Queima das Fitas, a formatura dos estudantes de todas as faculdades do Porto. As comemorações duram uma semana, dia e noite, com eventos acadêmicos e culturais. Não é como no Brasil, em que cada turma aluga um espaço fechado e faz uma festa privada. Também não tem a cerimônia da colação de grau, nem se usa beca. Os símbolos e as ocasiões são outros - aliás, tento ter sempre um cuidado imenso quando falo das tradições acadêmicas daqui, porque são mesmo muito fortes e envolvem muitas coisas que às vezes me escapam. Como eu sou "erasmus", não passei pela Praxe (semelhante ao nosso Trote) - a não ser na Tuna -, então não cheguei a apreender todo esse universo de regras.
Fugindo um pouco ao tema, mas só pra dar uma noção, existe um WikiPraxe (!) só pra explicar algumas coisas - porque certas coisas são restritas às praxes.
Então, com as devidas reservas feitas, vou tentar explicar o que é a Queima das Fitas, fazendo algumas correspondências, embora não se compare o sentido que se dá à Academia e ao "ser estudante" aqui e no Brasil. São modos de ver diferentes, e eu tenho uma quedinha pelo modo daqui, confesso ;)

Comecemos então pelo que, na minha faculdade, aconteceria primeiro - acho eu: a Colação de Grau, que é a única cerimônia oferecida pela faculdade (embora nós é que tenhamos que alugar a beca). Digamos que, aqui, corresponde à Imposição de insígnias, em que "Estando reunidos todos os participantes no mesmo local e onde, obrigatoriamente, se encontra uma recipiente com chama, será dado início à Cerimónia, pelo Dux ou seu representante, proferindo as palavras 'IN NOMIE SOLENISIMA PRAXIS IMPOSICIONE INSIGNIAE ABERTUM EST' dando 3 pancadas, após as quais passa a palavra ao Mestre de Cerimónias designado para o Evento." Na chamada dos finalistas, cada um deles recebe três insígnias: as meninas, uma roseta; os meninos, um laço (gravata-borboleta); uma cartola e uma bengala, nessa ordem, sendo que o Padrinho/Madrinha (prof.) tem que dar três bengaladas na cartola do finalista pra dar boa sorte (assim como, posteriormente, todos os parentes e amigos do finalista ^^' haja cartola! eles colocam uma espuminha dentro, pra não doer ^^'). "Terminada a Cerimónia o Mestre de Cerimonias passa a Palavra ao Dux, ou seu representante, que encerra a cerimonia proferindo as palavras 'IN NOMIE SOLENISIMA PRAXIS IMPOSICIONE INSIGNIAE ENCERRATA EST' dando 3 pancadas."
No Brasil, haveria, além da Colação de Grau, uma Missa, Culto e/ou Culto Ecumênico, também fechado, e uma festa em um buffet. Aqui, a Missa é o primeiro evento da Semana da Queima, no domingo de manhã. É antecedida apenas pela "Monumental Serenata", que acontece à meia-noite e UM do domingo - "e UM" porque, na praxe, não pode haver números pares. Chama-se Missa da Benção das Pastas e ocorre a céu aberto; aqui no Porto foi nos Aliados. Eu participei, pois a prima do meu namorado estava se formando em Educação Social :) e posso dizer que é muito emocionante! Vê-se uma multidão de pastas com fitas coloridas balançando ao alto, que é quando são benzidas com água benta (ao final do post, vou deixar um link pras fotos). Mas o que acho legal é a ênfase no papel que o estudante tem na sociedade, explicitado publicamente e valorizado (pelo menos culturalmente, não significa que há emprego pra todos ^^"). A oração dos finalistas, ao final da missa, é muito bonita. Transcrevo parte dela:

Senhor nosso Deus:
no momento em que deixamos a Universidade,
vimos agradecer-Vos o caminho que até agora percorremos.
Vós nos chamastes a entrar no Vosso projecto
e a colaborar na salvação dos homens e do mundo.
E nós queremos responder afirmativamente ao Vosso apelo:
ouvindo a vossa voz, estamos disponíveis para a missão que nos pedis.
Junto de Vós recordamos tudo quanto recebemos e pudemos dar,
e todos aqueles que nestes anos nos acompanharam.
Para eles Vos pedimos, Senhor, a Vossa Luz.
No limiar de uma nova etapa, a Vós entregamos o futuro,
a Vós consagramos a nossa energia, a nossa inteligência e a nossa profissão.
Senhor Jesus, que ensinastes aos Apóstolos o sentido do amor e do serviço,
dai-nos forças para que também nós com esse sentido, saibamos construir a nossa vida profissional. (...)
Acho que aqui não há a necessidade de um culto ecumênico, porque não há tanta variedade de religiões como no Brasil, nem manifestações tão explícitas de religiosidade por parte dos jovens que chegassem a exigir outra cerimônia. Aliás, grande parte dos estudantes não é muito religiosa; por vezes ateia, agnóstica ou indiferente. O valor simbólico da cerimônia é que fica.
Quanto ao Baile de Formatura; aqui há o Baile de Gala e o Chá Dançante, mas sobre esses não sei falar porque não fui. Há também, todas as noites, uma festa no "Queimódromo" - aqui no Porto é o Parque da Cidade - em que há barracas das associações de estudantes, vendendo bebidas e tocando música, e shows diversos. Fui a duas noites, mas não consegui entrar no espírito; é muito barulho e bagunça pra minha natureza calminha ^^' apesar disso, gostei de ver as bengaladas e a amizade entre os estudantes, vivendo aquela experiência.
Fui ainda ao Cortejo Acadêmico, que pra mim é mais uma coisa que afirma o valor dos universitários na sociedade. É um desfile de carros alegóricos de cada faculdade, que vai desde as 14h01 (!) atée de madrugada (porque são muitas faculdades, e não são só os finalistas que vão, mas todos os estudantes que participam da praxe). Cada faculdade tem uma cor, presente nas insígnias, nas fitas e na decoração dos carros. Estes últimos também servem, muitas vezes, como protesto; neste ano falaram muito sobre os efeitos da crise econômica que assola Portugal, sobre os empregos precários, falta de estágio e sobre as altas propinas que os estudantes pagam - taxas que chegam à volta dos mil euros por ano! (isso na graduação, porque no mestrado/doutorado é mais caro).
A Queima acontece nos principais pólos universitários de Portugal; ouvi falar mais da do Porto, da de Coimbra e da de Lisboa, mas há mais. "A história da Queima das Fitas no Porto não é muito mais recente que a de Coimbra, que se iniciou em 1919, pois já em 1920, os finalistas de Medicina da Universidade do Porto faziam a chamada 'Festa da Pasta', que é considerada a origem da Queima das Fitas do Porto.
A 'Festa da Pasta' era um evento, com um grande espírito académico, que comemorava a passagem da pasta dos estudantes que estavam a terminar o seu curso, os quintanistas, aos que entravam na recta final, os quartanistas. Juntamente com a passagem da pasta era imposto o grelo aos quartanistas. Ao longo dos anos a 'Festa da Pasta' foi-se difundindo pelas diversas faculdades da Universidade do Porto, sendo que cada faculdade tinha a sua própria festa. As diversas 'Festa da Pasta' realizaram-se ininterruptamente até 1943, ano a partir do qual passou a haver uma só para todas as faculdades." (site da FAP)
Haveria muito mais detalhes que eu poderia contar, mas isso tornaria a leitura muito cansativa. Em suma, o que posso dizer é que a Academia é vivida de uma forma muito especial aqui, não tão pragmática como é na América em geral; há mais tradição, sentimento e, principalmente, orgulho. Isso é uma coisa que vou sempre levar comigo, embalada por uma canção da Tuna Feminina de Letras da Universidade do Porto (que tão bem me acolheu e da qual ainda vou falar mais):
Ser estudante é ser poeta
É ter nas mãos a saudade
Do que está pra vir
E a lembrança do que passou
Ser estudante é trajar de negro
É enaltecer a Alma
Numa capa velha
Que abraça e aquece a vida
Com ternura

Ser estudante é ser criança
É não sentir a tristeza
Saber que se vive
Que muito se ama
E desgosta
Ser estudante é ter a noite no peito
É ter vaidade e mágoa
Que me faz ser o que sou
Para sempre
Estudante!


Abaixo, algumas fotos:



(Helena, responsável por eu vivenciar mais de perto tudo isso ^^)


(Imposição das Insígnias)

(Logo depois da Imposição)

(Missa)




(Cortejo)





Se quiserem, podem ver mais fotos da Queima aqui:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.127302264014793.30592.100002050613088&l=069a6a154c
Até a próxima :*

quarta-feira, 9 de março de 2011

Recorde de estudantes estrangeiros na UP


A Universidade do Porto registrou um novo recorde de estudantes estrangeiros em 2010/2011. Só nesse período, "mais de 1552 estudantes estrangeiros estudaram ou vão estudar na Universidade do Porto ao abrigo de programas internacionais de mobilidade no Ensino Superior. Junte-se-lhes os 1229 que estão a realizar cursos completos nas 14 faculdades da U.Porto e o número sobe para 2781, o que constitui um novo máximo na história da maior universidade portuguesa." (site da UP)

Realmente, há muuuitos estudantes de fora: nas quatro disciplinas que faço, estudo com pessoas da Polônia, da Romênia, da Grécia, da Alemanha e, claro, do Brasil :) é muito interessante conhecer pessoas de países que antes eram tão distantes da minha realidade. Fiquei até envergonhada por não conhecer quase nada sobre alguns desses países e o pessoal de lá saber tanto sobre o Brasil! Aliás, os portugueses sabem muito mais sobre nós do que nós sobre eles... ^^' Descobri tantas coisas novas, curiosidades também, como o fato de o meu nome não ser tão comum em Portugal quanto é no Brasil, mas existir na Polônia (!)... O mais lindinho foi uma amiga minha da Romênia me dizer que resolveu estudar português porque o sonho dela é conhecer o Rio de Janeiro *___* own...

A maioria dos estrangeiros é brasileira, claro :D e é até piada nas aulas, porque quando os professores perguntam se há algum aluno estrangeiro na turma - pra saber se devem falar mais devagar, ou em inglês/espanhol - e nós levantamos a mão, eles dizem "ah, brasileiros aqui não são estrangeiros!" :D ainda de acordo com o site da UP, "Relativamente aos estudantes de mobilidade, e num momento em que a contagem ainda não está finalizada, os números deste ano traduzem já um aumento de quase 12 % face a 2009/2010, ano em que a U.Porto recebeu 1390 estudantes ao abrigo dos mais diversos protocolos de cooperação. Trata-se de um valor que espelha o constante esforço de internacionalização desenvolvido pela Universidade e traduzido, não só no aumento do número de estudantes, mas também na posição de liderança assumida pela Universidade em vários consórcios internacionais e na subida registada nos principais rankings de universidades


Confirmando a tendência verificada nos últimos anos, o Brasil é o país que mais estudantes (681) 'exporta' para a U.Porto em 2011. Seguem-se países como Espanha (232), Itália (128), Polónia (71), República Checa (64), Turquia (47) e Alemanha (39), clientes habituais da Universidade através do programa Erasmus. Entre as 57 nacionalidades representadas encontram-se ainda países como Nicarágua, Vietname, Japão, Índia, Costa do Marfim, Estados Unidos, Togo, entre muitos outros onde a marca 'U.Porto' já é reconhecida."

Nós somos todos chamados de "Erasmus", embora nem todos nós sejamos desse programa ^^ o programa em que eu estou é um Acordo de Cooperação entre a UFMA e a U.Porto. Na Europa existe o programa Erasmus e no Brasil também há o Erasmus Mundus.

Não pude ir à Sessão de Boas-Vindas do dia 4 de março, mas fui a outras palestras muito esclarecedoras e fiquei muito feliz com a atenção que a UP nos dá... Eles nos explicam muita coisa mesmo, e sempre podemos ir ao "Gabinete Erasmus" em caso de necessidade... "A U.Porto oferece actualmente uma vasta gama de serviços de apoio aos estudantes estrangeiros, cuja qualidade é reconhecida internacionalmente. Isso mesmo ficou patente na sessão que a Universidade organizou no passado dia 4 de Março, no edifício da Reitoria, para dar as boas-vindas aos estudantes de mobilidade que ali chegam no segundo semestre. Como é habitual, o evento serviu como uma primeira apresentação da cidade e do país e marcou o início do programa de recepção e integração organizado pela ESN – Erasmus Student Network (ESN-Porto), organização composta por estudantes que já participaram em programas de intercâmbio internacionais." (idem)

Enfim, decidi postar esses dados porque acho que pode ajudar alguém! Na foto acima, somos eu e alguns brasileiros na reunião de registro na reitoria, no dia 11/02. A maioria na foto é de Minas Gerais, só dois são do Rio e eu do Maráa ;) aliás, do Maranhão só somos três meninas.

Na próxima postagem, eu devo falar sobre o carnaval ;) passei em Aveiro!

Até mais !


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Aulas :)


Foi só as aulas começarem que eu já fiquei com bem menos tempo pro blog... Às vezes tenho tempo, mas o cansaço não permite o post ^^' Neste último fim-de-semana a internet também não funcionou, enfim... O que importa é contar como têm sido as aulas :)

Eu mal sei por onde começar, mas só poderia dizer que tive aulas muito, muito boas! Em tese, tenho três tipos de aula: uma teórica (2h), uma prática (1h) e uma de orientação tutorial (1h), mas na verdade, até agora a orientação tutorial não acontece muito. É meio difícil mesmo dar atenção personalizada quando a turma é grande e o assunto ainda não chegou num ponto que dê pra fazer isso. As aulas teóricas são muito boas, os professores parecem livros ambulantes ^^ falam, falam, e a gente não se cansa (pelo menos eu, não ^^). Nas aulas práticas - no meu caso, que sou de Humanas - , o professor usa mais slides, textos e interage mais com a turma.

Falando em interação, os professores não são tão rígidos quanto eu imaginava; a gente pode, sim, fazer perguntas durante a aula, mas também tem o horário marcado com eles, se precisar. Eu tenho quatro professores, três mulheres e um homem :) Faço Literatura Portuguesa Contemporânea, com a Profa. Rosa Maria Martelo; Estética e Linguagem com a Profa. Maria Luísa Malato; Literatura Inglesa: Shakespeare e o Renascimento Inglês com o Prof. Nuno Ribeiro e Teoria da Literatura II (de novo ^^"), com a Profa. Celina Silva. Tenho aulas de manhã, de tarde e de noite, em dias alternados. Quando não tô em aula, tô lendo o que preciso para a próxima aula ^^'

Essas leituras, em sua maioria, eu as faço na biblioteca, que é um sonho! Parece um labirinto, com os seus três pisos. A gente pode entrar com bolsa, caderno, tudo. Mas tem sistema anti-furto, igual à UFMA ;) Há inúmeras enciclopédias e dicionários, e a área de Letras é muito bem servida. Existem também umas mesas grandes, retangulares, pra gente estudar, com várias tomadas pra notebook... E o melhor: silêncio x)

Depois conto mais, pois também fiz alguns passeios ^^ Não tenho fotos lá na FLUP, então deixo uma foto da frente da Reitoria (que não fica perto, mas tá valendo) e uma foto minha com roupinha de frio ^^"






Té mais :*